quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Ó Maria!!

“A seguir ao almoço, ao chegar aqui, o telefone tocava: uma voz feminina à procura do meu primo.
Disse-lhe que não o tinha visto.
Perguntou-me como podia encontrá-lo.
Respondi que não sabia e sugeri-lhe que abrisse a janela e gritasse o nome dele. Lisboa não é assim tão grande.
Ficou a duvidar de mim, chegou ao ponto de insinuar que eu não falava a sério. Depois reflectiu melhor e concordou em experimentar.
Se experimentou, pela minha parte não ouvi nada. Pode dar-se o caso de morar longe e assim sendo é provável que em Sintra ou na Amadora a hajam escutado. Isto se não a levaram para o hospital psiquiátrico ao segundo berro.
Quando eu era pequeno, em Benfica, havia mães que chamavam os filhos dessa forma, ao fim da tarde.”
Crónica de António Lobo Antunes na Visão

Bem, isto lembrou-me a terra dos meus avós, que é a minha, mas assim parece que soa melhor... Não que eu ouvisse as mães a chamar à janela pelos filhos, mas as conversas à janela eram (são) comuns. Quer entre pessoa na rua e outra na janela, quer entre cada uma na sua janela...
Em Coimbra, olhando do alto da minha janela :), continuei a assistir a estas conversas, e agora, em Setúbal, encontro-me precisamente no meio delas.

Não é raro ouvir qualquer coisa do género: “Ó Maria!! O comer já está pronto?
Está quase Manel...”
Ou então, a caminho de casa, uma vizinha à janela e, “Como vai o menino? Está bom? Já acabou o trabalho por hoje?”

A minhas vizinhas não são exactamente como a menina da foto... mas é agradável encontrar alguém à janela no meu caminho de casa. (ficava bem dizer, no meu caminho de casa após um cansativo dia de trabalho, mas eu não gosto de mentir...)
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