terça-feira, setembro 09, 2008

Coleccionando Milhas

Continuando nos gomers...

Estes gomers de cá parecem-me um bocado diferentes.Estes  morrem. Custa, mas lá vão.
É verdade, realmente, que quanto menos lúcidos estão, mais tempo se arrastam, mas geralmente a família dá uma ajuda. Aqueles dias ou semanas em que o doente fica no hospital à espera que o venham buscar, geralmente é apenas o tempo suficiente e necessário para apanharem a sua infecçãozinha nosocomial. Têm direito a escolher, ou uma pneumonia, ou uma ITUzita... As pneumonias costumam vir acompanhadas de bónus - um bilhete de ida.
Quando não são as famílias a ajudar, são os próprios gomer's. Há-de ser sempre no dia da suposta alta, que o referido gomer, que até então nunca disse uma palavra, decide começar a comunicar. E para que? Para se queixar. Não chega para se perceber o que se passa, mas dá para ganhar mais um dia ou dois em investigação... Só mesmo o suficiente para receber o bónus a que têm direito.
Há ainda uma terceira situação. O gomer vai, mas avisa com antecedência que vai regressar. Passo a explicar: O gomer está bem. Parâmetro de infecção zero -  Perfeito - Vai embora. Um ou dois dias depois surgem no serviço mais umas análises, que já ninguem se lembrava de ter pedido. olha-se para elas e percebe-se, mais uns dias e ele está de volta. Não falha.
E em cada visita, mais acima na "rampa" vão estando.

E um gomer na sala de reanimação? É uma animação. Tudo corre. Massaja aqui, ventila ali, uma drogas pra'qui, outras prá'colá. Vê pulso, vê ritmo. Intuba, desintuba. Volta a intubar. O final é quase sem pre o mesmo, mas é educativo.
Mas geralmente eu gosto de gomers. Fazer os diários é uma alegria. copy-paste.
Os velhotes previamente saudáveis, coitados, têm poucas hipóteses. Gostam muito de entrar em paragem sozinhos, sem ninguém por perto, pacificamente...
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